João da Cruz e Sousa

Poeta parnasiano e simbolista é considerado pela crítica francesa e internacional um dos mais importantes simbolistas da poesia ocidental. Entre suas principais obras destacam-se Missal (prosa poética) e Broquéis (poesia), ambos publicados em 1893, e as póstumas Evocações, 1898, e Últimos Sonetos, 1905.

Filho dos escravos alforriados Guilherme da Cruz, mestre-pedreiro, e Carolina Eva da Conceição, e adotivo dos Sousa, de quem herdou o sobrenome, Cruz e Sousa nasceu em N. Sra. do Desterro (atual Florianópolis), Santa Catarina, em 24 de Novembro de 1861. Fez seus primeiros versos aos sete anos de idade, aos oito já declamava, com dezesseis publicou seus primeiros versos em jornais e já dava aulas particulares. Aos vinte anos fundou o jornal literário Colombo e percorreu várias cidades brasileiras fazendo teatro.

Próximo do presidente da Província de Santa Catarina, em 1884 é nomeado promotor de Laguna, mas é impedido de assumir o cargo por pressão dos políticos locais, por conta de sua cor. No ano da abolição muda-se para o Rio de Janeiro, onde participa ativamente da luta contra a escravidão e a discriminação racial.

Cruz e Sousa tinha a vida atribulada e sérias dificuldades econômicas após o casamento com a poetisa negra Gavita Gonçalves, com problemas psicológicos devido à perda dos filhos acometidos de tuberculose. Mesmo tendo se mudado, em 1898, para a cidade de Sítio, em Minas Gerais, para ter melhor saúde, falece ali em 19 de março daquele ano, vítima da mesma enfermidade.

 

Selvo Afonso

Acrílica sobre tela, 1.0m x 0.70m 2017